Propriedade vs Acesso: as Bibliotecas de Coisas podem mudar hábitos de consumo?

 Libary Of Things — Londres

Libary Of Things — Londres

O compartilhamento de objetos é uma tendência crescente em todo o mundo e é um dos principais eixos da Economia Colaborativa. Segue o princípio de que não precisamos ter a propriedade de certos objetos, mas sim o acesso aos mesmos. Aplica-se sobretudo a itens que, no geral, têm um alto custo e são utilizados poucas vezes. O exemplo clássico é a furadeira, que passa a maior parte da sua vida útil guardada no armário ou na casa de algum parente que esqueceu de devolvê-la. Pode-se dizer que é uma resposta ao hiperconsumo que tem marcado o ocidente, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Aos poucos vai tomando corpo um novo paradigma, em que a propriedade e o consumo vão dando lugar ao acesso e ao compartilhamento.

Neste novo paradigma o consumo é entendido como um meio para o bem-estar humano e não um fim em si mesmo. Quanto menor for o gasto de recursos para realizá-lo, mais proveitoso será para o ser humano, que disporá de mais tempo para realizar outras atividades que lhe permitam desenvolver-se e ter uma vida interessante.
Albert Cañigueral — Consumo Colaborativo

É nesse cenário que entram as Bibliotecas de Coisas. Na Europa e nos Estados Unidos diversos espaços têm sido criados com o objetivo de promover o compartilhamento de objetos. E devemos pensar objetos num sentido bem amplo. As bibliotecas emprestam desde uma simples chave de fenda até instrumentos musicais, roupas e equipamentos de marcenaria.

As Bibliotecas de Coisas mais bem sucedidas são aquelas que vão além de só emprestar itens. Elas também criam um forte senso de comunidade.

Gene Homicki — My Turn

Na busca por referências e experiências que pudessem servir de inspiração encontrei muitas bibliotecas bastante interessantes. Algumas delas merecem destaque.

  • Share — Frome/Inglaterra.

Foi a principal referência para a criação da Bibliotreco. Disponibilizam na página uma pasta com todos os documentos e o histórico da biblioteca. 

Primeira Biblioteca de Coisas do Canadá, possuem quase 2500 usuários e estão perto de superar a marca de 25 mil empréstimos. Possui em seu acervo desde equipamentos de camping até instrumentos musicais.

 Sharing Depot.

Sharing Depot.

Criada em 2014, dentro de uma biblioteca pública tradicional, já conseguiram arrecadar através de campanhas de financiamento coletivo quase R$ 60.000,00. Graças a essas doações hoje já possuem um espaço próprio.

Esses são apenas alguns exemplos, se você quiser conhecer outras Bibliotecas de Coisas ao redor do mundo basta visitar a página Local Tools e passear pelo mapa interativo.

Se ficou interessado em se envolver com esse tipo de projeto e até mesmo criar uma Biblioteca de Coisas, manda um Email ou conversa com a gente através da página do Co.cada no Facebook. Vamos compartilhar essa ideia.

Referências.

Cañigueral, Albert. Vivir Mejor Con Menos. [Livro] Disponível em Consumo Colaborativo.

Shareable. The Library of Things: 8 spaces changing how we think about stuff.[Online]

Shareable. Edinburgh Tool Library: Creativity, Community, and Cutting Resource Use. [Online]