As Profissões do Futuro e o Futuro das Profissões.

Por Daniele Vilas Bôas e Matheus Queiroz

Se olharmos para o mercado de trabalho há 30, 20 anos, acompanharemos o surgimento de algumas profissões e nos espantaremos com a inexistência de tantas outras. Numa época em que celulares e Internet ainda não eram acessíveis a todos e as redes sociais não tinham a dimensão que têm hoje, trabalhos nas áreas de programação de internet ou indústria de telefonia celular, por exemplo, eram incipientes. Se você trabalha ou estuda na área de marketing digital, seu trabalho sequer existia!

Num mundo em que a tecnologia cresce de forma exponencial, como saber quais trabalhos vão existir ou quais vão ser mais valorizados daqui a 20 anos?

Um estudo feito em 2016 pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que 65% das crianças que estão hoje no primário irão trabalhar com empregos que ainda não existem. Mas que empregos serão esses?

A tecnologia influencia diretamente o futuro das profissões e as funções ligadas ao mundo digital, redes sociais, big data, 3D, robótica ou nanotecnologia são aquelas com maior potencial de crescimento e remuneração.  Tudo o que diga respeito às áreas criativas também ganha espaço nas empresas, complementando as tradicionais profissões ligadas à gestão, vendas ou marketing.

A sustentabilidade e a economia verde também ganham importância no mundo das profissões do futuro graças à crescente preocupação com o planeta e com o esgotamento dos recursos naturais. E não podemos esquecer das profissões orientadas para o atendimento de uma população que cada vez vive mais.


Créditos: Heller de Paula.

Isso, contudo, não significa que assistiremos somente ao surgimento de profissões inteiramente novas, dissociadas do presente. Profissões clássicas e carreiras já existentes podem continuar existindo, porém precisarão se adaptar ao mundo tecnológico exponencial, convivendo com a inteligência artificial, por exemplo, além de exigir dos profissionais um perfil mais criativo, integrador e colaborativo.

Vai haver emprego para todos?

O avanço da tecnologia irá criar novas profissões mas elas não serão suficientes. Não haverá emprego para todos e essa é uma realidade que precisa ser encarada. Mesmo as maiores empresas da área de tecnologia criam poucos empregos em relação à demanda existente. Vamos analisar o exemplo dos Estados Unidos, pois existem muito dados disponíveis sobre profissões por lá.

34 profissões compõem quase 46% da força de trabalho nos EUA. Dessas 34, apenas uma é uma profissão relativamente nova: engenheiro de software. Mas ela representa apenas 0,74% da força de trabalho no país. E isso porque estamos falando do país onde fica o Vale do Silício e as maiores empresas de tecnologia do mundo.

Ainda nos EUA, as profissões que possuem o maior número de trabalhadores são Motoristas de ônibus e caminhões (3 628 000), Vendedores de Varejo (3 286 000), Gerentes de vendedores de varejo (3 132 000) e Operadores de caixa ( 3 109 000). A soma representa aproximadamente 30% do número total de trabalhadores.

Lista de empresas multibilionárias ao longo do tempo e sua receita por funcionário.

Esses números mostram claramente uma diminuição progressiva do número de funcionários e um aumento na quantidade de riqueza que cada empregado gera. Vamos dar um exemplo que ajude a visualizar o tamanho do problema.

Recentemente a gigante Foxconn, maior fabricante de eletrônicos do mundo, que tem contratos com empresas como  Apple, Intel, HP, Samsumg e Motorola, anunciou um plano de automatização das suas fábricas. 1 milhão de robôs irão substituir trabalhadores humanos. Estima-se que até 70% dos trabalhadores sejam substituídos. E estamos falando de uma empresas de 1,2 milhões de funcionários.  Para coordenar e supervisionar esse processo 2 mil engenheiros serão contratados. A conta é simples: 840 mil empregos serão extintos e 2 mil empregos serão criados. 

Agora pense comigo, qual impacto tecnologias disruptivas como a dos Carros Autônomos e Drones, a Internet das Coisas, Robótica e a Inteligência Artificial têm e terão sobre as profissões?

Softwares de leitura de imagens são capazes de processar 260 milhões de imagens por dia, a um custo bem inferior ao salário de um Radiologista. Qual será o impacto disso para essa profissão? Nos últimos anos você tem feito mais compras em lojas físicas ou em lojas online? Quantas vezes você nos últimos anos você precisou ser atendido por uma funcionário na sua agência bancária?

Se quisermos resolver o problema mais desafiador do nosso tempo, teremos de repensar toda a estrutura econômica e social. Repensar nossa vida, nossos papéis, nossos objetivos, nossas prioridades e nossas motivações. É hora de uma mudança de paradigma que revolucione radicalmente o sistema social. Nesse universo, a mudança é a única constante. Aprenda a amá-la, abrace-a, e você terá sucesso. Não preveja a mudança, resista a ela, e será varrido pela avalanche que está prestes a esmagar a civilização como a conhecemos.
— FEDERICO PISTONO. OS ROBÔS VÃO ROUBAR SEU TRABALHO, MAS TUDO BEM.

Muitas profissões sofrerão grandes modificações mas não serão necessariamente extintas. Vamos falar de uma profissão específica: advogado. Muitos escritórios de advocacia já começaram a adotar amplamente a tecnologia e softwares de automatização. Isso não quer dizer que todo o trabalho feito por um advogado possa ser entregue a um “robô”. 13% do trabalho de um advogado pode ser automatizado, essencialmente atividades rotineiras e repetitivas. E isto serve para praticamente todas as profissões: todas as atividades repetitivas poderão ser automatizadas.

Quando entramos num Uber é comum o motorista nos perguntar: “tem um caminho de sua preferência ou posso seguir o GPS?”. Daqui para frente essa pergunta vai ser cada vez mais importante. Precisamos saber criar nosso próprio caminho.

Referências.

Pistono, Federico. Os robôs vão roubar seu trabalho, mas tudo bem. Portfolio-Penguin, 2017.