Os robôs vão roubar seu emprego?

Por Daniele Vilas Bôas e Matheus Queiroz.

Você consegue identificar um texto escrito por um "robô"?


Abaixo temos trechos de três matérias sobre um jogo de beisebol. Uma delas foi escrita por um algoritmo inteligente. Você consegue dizer qual?

a) A equipe de beisebol da Universidade o Michigan usou quatro corridas na quinta entrada para salvar o último jogo em sua série de três jogos com Iowa, vencendo por 7 x 5 na tarde de sábado (24 de abril) no Wilpon Baseball Complex, local do histórico estádio Ray Fisher.
b) Michigan segurou Iowa e venceu por 7 x 5 no sábado. Os Hawkeyes (16-21) foram incapazes de superar um défict de quatro corridas na sexta entrada. Os Hawkeyes se recuperaram na oitava entrada, pontuando uma corrida.
c) A equipe de beisebol de Iowa caiu no final de uma série de três jogos, 7 x 5, para Michigan na tarde de sábado. Apesar da derrota, Iowa ganhou a série, tendo obtido duas vitórias na rodada dupla no estádio Ray Fisher na sexta-feira.


E aí, fácil descobrir? A resposta é a letra b. 
Mesmo que você tenha acertado acho que vai concordar que não existem grandes diferenças entre os trechos né? Estabelecer diferenças entre o que é humano e o que é artificial vai ser cada vez mais importante.

Habilidades para um Futuro que já é Presente.

Sempre que se fala sobre o Futuro do Trabalho, nós somos assombrados pelo fantasma da automação, da inteligência artificial. Os filmes de ficção científica pintam um cenário em que nós, humanos, somos dominados pelas máquinas.

Especialistas calculam que cerca de 45% dos empregos, tais como conhecemos hoje - não apenas empregos manuais, mas o trabalho de médicos e advogados por exemplo - serão automatizados. Mas provavelmente, neste processo, criaremos novos tipos de trabalho que substituirão os que foram eliminados.

Estamos experimentando hoje mudanças que desafiam nossa compreensão do mundo e nos forçam, como seres humanos, a repensar nosso lugar dentro deleAfinal, o que significa SER HUMANO na era das máquinas inteligentes? Como podemos coevoluir? A partir do momento em que máquinas assumem trabalhos repetitivos, padronizados e manuais a Inteligência Artificial assume trabalhos que exigem “um cérebro”, o que “sobra” para o ser humano? Se as máquinas podem competir conosco até na habilidade de pensar e criar, o que então nos torna únicos? E o que nos permitirá criar valor social e econômico?

O perigo não está nas máquinas, senão deveríamos realizar o sonho absurdo de destruí-las pela força, à maneira dos iconoclastas que, espatifando as imagens, pensavam aniquilar também as crenças. O perigo não está na multiplicação das máquinas, mas no número incessantemente crescente de homens habituados, desde sua infância, a desejar apenas aquilo que as máquinas podem dar.
— GEORGES BERNANOS, 1945, LA FRANCE CONTRE LES ROBOTS.

Precisamos nos concentrar em coisas que as máquinas não podem fazer. O futuro do trabalho exigirá novas habilidades. E, provavelmente, a única coisa que as máquinas nunca terão é um coração. Os seres humanos podem amar, podem ter compaixão, podem sonhar. Enquanto as máquinas podem interoperar de forma extremamente confiável, os seres humanos, de forma exclusiva, podem construir RELAÇÕES profundas de confiança.