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futuca #3

 

As Profissões do Futuro e o Futuro das Profissões.

 

Daniele Vilas Bôas e Matheus Queiroz

Junho de 2018

Se olharmos para o mercado de trabalho há 30, 20 anos, acompanharemos o surgimento de algumas profissões e nos espantaremos com a inexistência de tantas outras. Numa época em que celulares e Internet ainda não eram acessíveis a todos e as redes sociais não tinham a dimensão que têm hoje, trabalhos nas áreas de programação de internet ou indústria de telefonia celular, por exemplo, eram incipientes. Se você trabalha ou estuda na área de marketing digital, seu trabalho sequer existia!

Num mundo em que a tecnologia cresce de forma exponencial, como saber quais trabalhos vão existir ou quais vão ser mais valorizados daqui a 20 anos?

Um estudo feito em 2016 pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que 65% das crianças que estão hoje no primário irão trabalhar com empregos que ainda não existem. Mas que empregos serão esses?

A tecnologia influencia diretamente o futuro das profissões e as funções ligadas ao mundo digital, redes sociais, big data, 3D, robótica ou nanotecnologia são aquelas com maior potencial de crescimento e remuneração.  Tudo o que diga respeito às áreas criativas também ganha espaço nas empresas, complementando as tradicionais profissões ligadas à gestão, vendas ou marketing.

A sustentabilidade e a economia verde também ganham importância no mundo das profissões do futuro graças à crescente preocupação com o planeta e com o esgotamento dos recursos naturais. E não podemos esquecer das profissões orientadas para o atendimento de uma população que cada vez vive mais.

Créditos: Heller de Paula.

Isso, contudo, não significa que assistiremos somente ao surgimento de profissões inteiramente novas, dissociadas do presente. Profissões clássicas e carreiras já existentes podem continuar existindo, porém precisarão se adaptar ao mundo tecnológico exponencial, convivendo com a inteligência artificial, por exemplo, além de exigir dos profissionais um perfil mais criativo, integrador e colaborativo.


Quer viajar um pouco nesse possível futuro? O ilustrador francês  Florian de Gesincourt, a partir das discussões do Fórum Econômico Mundial realizado em janeiro deste ano, ilustrou 06 possíveis profissões que surgirão até 2030.

 
 

Vai haver emprego para todos?

O avanço da tecnologia irá criar novas profissões mas elas não serão suficientes. Não haverá emprego para todos e essa é uma realidade que precisa ser encarada. Mesmo as maiores empresas da área de tecnologia criam poucos empregos em relação à demanda existente. Vamos analisar o exemplo dos Estados Unidos, pois existem muito dados disponíveis sobre profissões por lá.

34 profissões compõem quase 46% da força de trabalho nos EUA. Dessas 34, apenas uma é uma profissão relativamente nova: engenheiro de software. Mas ela representa apenas 0,74% da força de trabalho no país. E isso porque estamos falando do país onde fica o Vale do Silício e as maiores empresas de tecnologia do mundo.

Ainda nos EUA, as profissões que possuem o maior número de trabalhadores são Motoristas de ônibus e caminhões (3 628 000), Vendedores de Varejo (3 286 000), Gerentes de vendedores de varejo (3 132 000) e Operadores de caixa ( 3 109 000). A soma representa aproximadamente 30% do número total de trabalhadores.

 Lista de empresas multibilionárias ao longo do tempo e sua receita por funcionário.

Lista de empresas multibilionárias ao longo do tempo e sua receita por funcionário.

Esses números mostram claramente uma diminuição progressiva do número de funcionários e um aumento na quantidade de riqueza que cada empregado gera. Vamos dar um exemplo que ajude a visualizar o tamanho do problema.

Recentemente a gigante Foxconn, maior fabricante de eletrônicos do mundo, que tem contratos com empresas como  Apple, Intel, HP, Samsumg e Motorola, anunciou um plano de automatização das suas fábricas. 1 milhão de robôs irão substituir trabalhadores humanos. Estima-se que até 70% dos trabalhadores sejam substituídos. E estamos falando de uma empresas de 1,2 milhões de funcionários.  Para coordenar e supervisionar esse processo 2 mil engenheiros serão contratados. A conta é simples: 840 mil empregos serão extintos e 2 mil empregos serão criados. 

Agora pense comigo, qual impacto tecnologias disruptivas como a dos Carros Autônomos e Drones, a Internet das Coisas, Robótica e a Inteligência Artificial têm e terão sobre as profissões?

Softwares de leitura de imagens são capazes de processar 260 milhões de imagens por dia, a um custo bem inferior ao salário de um Radiologista. Qual será o impacto disso para essa profissão? Nos últimos anos você tem feito mais compras em lojas físicas ou em lojas online? Quantas vezes você nos últimos anos você precisou ser atendido por uma funcionário na sua agência bancária?

Muitas profissões sofrerão grandes modificações mas não serão necessariamente extintas. Vamos falar de uma profissão específica: advogado. Muitos escritórios de advocacia já começaram a adotar amplamente a tecnologia e softwares de automatização. Isso não quer dizer que todo o trabalho feito por um advogado possa ser entregue a um “robô”. 13% do trabalho de um advogado pode ser automatizado, essencialmente atividades rotineiras e repetitivas. E isto serve para praticamente todas as profissões: todas as atividades repetitivas poderão ser automatizadas.

Quando entramos num Uber é comum o motorista nos perguntar: “tem um caminho de sua preferência ou posso seguir o GPS?”. Daqui para frente essa pergunta vai ser cada vez mais importante. Precisamos saber criar nosso próprio caminho.

 

Referências.

Pistono, Federico. Os robôs vão roubar seu trabalho, mas tudo bem. Portfolio-Penguin, 2017.

 

Se quisermos resolver o problema mais desafiador do nosso tempo, teremos de repensar toda a estrutura econômica e social. Repensar nossa vida, nossos papéis, nossos objetivos, nossas prioridades e nossas motivações. É hora de uma mudança de paradigma que revolucione radicalmente o sistema social. Nesse universo, a mudança é a única constante. Aprenda a amá-la, abrace-a, e você terá sucesso. Não preveja a mudança, resista a ela, e será varrido pela avalanche que está prestes a esmagar a civilização como a conhecemos.
— Federico Pistono. OS robôs vão roubar seu trabalho, mas tudo bem.
 

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futuca #2

Maio de 2018

Os robôs vão roubar seu emprego?

 

Daniele Vilas Bôas e Matheus Queiroz

Você consegue identificar um texto escrito por um "robô"?


Abaixo temos trechos de três matérias sobre um jogo de beisebol. Uma delas foi escrita por um algoritmo inteligente. Você consegue dizer qual?

a) A equipe de beisebol da Universidade o Michigan usou quatro corridas na quinta entrada para salvar o último jogo em sua série de três jogos com Iowa, vencendo por 7 x 5 na tarde de sábado (24 de abril) no Wilpon Baseball Complex, local do histórico estádio Ray Fisher.
b) Michigan segurou Iowa e venceu por 7 x 5 no sábado. Os Hawkeyes (16-21) foram incapazes de superar um défict de quatro corridas na sexta entrada. Os Hawkeyes se recuperaram na oitava entrada, pontuando uma corrida.
c) A equipe de beisebol de Iowa caiu no final de uma série de três jogos, 7 x 5, para Michigan na tarde de sábado. Apesar da derrota, Iowa ganhou a série, tendo obtido duas vitórias na rodada dupla no estádio Ray Fisher na sexta-feira.


E aí, fácil descobrir? A resposta é a letra b. 
Mesmo que você tenha acertado acho que vai concordar que não existem grandes diferenças entre os trechos né? Estabelecer diferenças entre o que é humano e o que é artificial vai ser cada vez mais importante.

 

 

Habilidades para um Futuro que já é Presente.

Sempre que se fala sobre o Futuro do Trabalho, nós somos assombrados pelo fantasma da automação, da inteligência artificial. Os filmes de ficção científica pintam um cenário em que nós, humanos, somos dominados pelas máquinas.

Especialistas calculam que cerca de 45% dos empregos, tais como conhecemos hoje - não apenas empregos manuais, mas o trabalho de médicos e advogados por exemplo - serão automatizados. Mas provavelmente, neste processo, criaremos novos tipos de trabalho que substituirão os que foram eliminados.

Estamos experimentando hoje mudanças que desafiam nossa compreensão do mundo e nos forçam, como seres humanos, a repensar nosso lugar dentro deleAfinal, o que significa SER HUMANO na era das máquinas inteligentes? Como podemos coevoluir? A partir do momento em que máquinas assumem trabalhos repetitivos, padronizados e manuais a Inteligência Artificial assume trabalhos que exigem “um cérebro”, o que “sobra” para o ser humano? Se as máquinas podem competir conosco até na habilidade de pensar e criar, o que então nos torna únicos? E o que nos permitirá criar valor social e econômico?
 

 
 

Precisamos nos concentrar em coisas que as máquinas não podem fazer. O futuro do trabalho exigirá novas habilidades. E, provavelmente, a única coisa que as máquinas nunca terão é um coração. Os seres humanos podem amar, podem ter compaixão, podem sonhar. Enquanto as máquinas podem interoperar de forma extremamente confiável, os seres humanos, de forma exclusiva, podem construir RELAÇÕES profundas de confiança.

 

 

 
O perigo não está nas máquinas, senão deveríamos realizar o sonho absurdo de destruí-las pela força, à maneira dos iconoclastas que, espatifando as imagens, pensavam aniquilar também as crenças. O perigo não está na multiplicação das máquinas, mas no número incessantemente crescente de homens habituados, desde sua infância, a desejar apenas aquilo que as máquinas podem dar.
— Georges Bernanos, 1945, La france contre les robots.

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futuca #1

O que é o Mundo V.U.C.A.

Clique na imagem para ampliá-la.

 
 

Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.

O termo V.U.C.A. teve origem nos anos 90, no contexto militar americano, para caracterizar um ambiente em que as mudanças acontecem de forma intensa, repentinamente e sem aviso prévio. Caiu como uma luva no mundo corporativo, que precisa se adaptar tal qual um camaleão à velocidade exponencial com que caminha a humanidade – e suas invenções – nos dias atuais.

Neste mundo em que as conexões acontecem tão velozmente, torna-se quase impossível planejar uma vez que não é mais factível prever com certeza o que sucederá no futuro. Para cada problema, inúmeras possibilidades de interpretação, muitos caminhos possíveis e diversas opções de escolha. A tecnologia nos mantém ligados e conectados 24 horas por dia. Uma enxurrada de informações, verdadeira e falsas, chegam às nossas mãos a todo momento.

E, no meio de tudo isto, estamos NÓS. Começando a sentir os efeitos físicos e psicológicos deste cenário caótico e nos perguntando o que nos espera e como vamos sobreviver.

Entre o pessimismo e o otimismo existem várias nuances. O futuro pode parecer assustador – talvez o presente já seja! - mas de um ponto de vista positivo, talvez estejamos em um daqueles momentos de virada de chave, em que temos a chance de retomar o sentido em meio ao caos. Se todo esse movimento acelerado atende a uma lógica de nos manter afastados de nós mesmos, vivendo em um patamar superficial nas relações com os outros e com a natureza, por outro lado, mais do que nunca, estamos sendo convidados a olhar para dentro e encontrar nossa essência. Mais do que isso: olhar para fora também, para a força do coletivo e para o impacto das nossas ações no mundo.

Mais do que uma era de mudanças, estamos de fato vivendo uma mudança de era. No documento em que os militares americanos descrevem o mundo V.U.C.A. há um capítulo todo dedicado à educação. Para eles, diante de uma era de caos e incerteza, é fundamental que haja uma revolução educacional centrada no pensamento crítico, que nos prepare para a volatidade. Por isso acreditamos que conhecer é o primeiro passo para que possamos nos posicionar de forma consciente e mobilizar as habilidades exigidas neste(s) novo(s) tempo(s).


Então, bora futucar?

Daniele Vilas Bôas e Matheus Queiroz

 

 
É por isso que o caos é tão desencorajador para quem quer controlar a própria vida ou de todo mundo. A mudança pode surgir praticamente de qualquer direção e só a mudança que todo o sistema está pronto para absorver será completamente desencadeada. O caos dá poderes aos pequenos ao agir como o soro da verdade da natureza. Não admira que os meninos o adorem.
— Douglas Rushkoff. Um Jogo Chamado Futuro, 1999.
 

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